Ana Teresa Russ... 的个人资料O Meu Paraiso Perdido照片日志列表更多 ![]() | 帮助 |
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Meu mundo“O meu mundo não é como o dos outros ... Quero demais ... Exijo demais ... Há em mim uma sede de infinito .. Uma angústia constante ... Que nem eu mesma compreendo ... Pois estou longe de ser uma pessoa ... Sou antes uma exaltada ... Com alma intensa ... Violenta ... Atormentada ... Uma alma que não se sente bem onde está ... Que tem saudade ... Sei lá de quê !!!”
Florbela Espanca Assim eu vejo a vida“A vida tem duas faces: Cora Coralina Não te quero senão porque te quero''Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não te querer chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo. Quero-te só porque a ti te quero, Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te, como um cego. Tal vez consumirá a luz de Janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo.'' Pablo Neruda Soneto de Separação''DE REPENTE do riso fêz-se o pranto silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fêz-se espuma E das mãos espalmadas fêz-se o espanto. De repente da calma fêz-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fêz-se o pressentimento E do momento imóvel fêz-se o drama. De repente, não mais que de repente Fêz-se de triste o que se fêz amante E de sozinho o que se fêz contente. Fêz-se do amigo próximo o distante Fêz-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. '' Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção' Tenho Mais Almas que Uma''Vivem em nós inúmeros; Se penso ou sinto, ignoro Quem é que pensa ou sente. Sou somente o lugar Onde se sente ou pensa. Tenho mais almas que uma. Há mais eus do que eu mesmo. Existo todavia Indiferente a todos. Faço-os calar: eu falo. Os impulsos cruzados Do que sinto ou não sinto Disputam em quem sou. Ignoro-os. Nada ditam A quem me sei: eu 'screvo. '' Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa Cada um Cumpre o Destino que lhe Cumpre''Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, E deseja o destino que deseja; Nem cumpre o que deseja, Nem deseja o que cumpre. Como as pedras na orla dos canteiros O Fado nos dispõe, e ali ficamos; Que a Sorte nos fez postos Onde houvemos de sê-lo. Não tenhamos melhor conhecimento Do que nos coube que de que nos coube. Cumpramos o que somos. Nada mais nos é dado. '' Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa Dorme Enquanto Eu Velo
“Dorme enquanto eu velo… A tua carne calma Dorme, dorme. dorme,
Fernando Pessoa Teus olhos entristecem“Teus olhos entristecem
O que Nós Vemos das Cousas São as Cousas''O que nós vemos das cousas são as cousas. Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra? Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos Se ver e ouvir são ver e ouvir? O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê, E nem pensar quando se vê Nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender E uma seqüestração na liberdade daquele convento De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas E as flores as penitentes convictas de um só dia, Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas Nem as flores senão flores. Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores. '' Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIV" Heterónimo de Fernando Pessoa Não Digas Nada!Não digas nada! Nem mesmo a verdade Há tanta suavidade em nada se dizer E tudo se entender — Tudo metade De sentir e de ver... Não digas nada Deixa esquecer Talvez que amanhã Em outra paisagem Digas que foi vã Toda essa viagem Até onde quis Ser quem me agrada... Mas ali fui feliz Não digas nada. Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" Ser Real quer Dizer não Estar Dentro de Mim''Seja o que for que esteja no centro do Mundo, Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade, E quando digo "isto é real", mesmo de um sentimento, Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior, Vejo-o com uma visão qualquer fora e alheio a mim. Ser real quer dizer não estar dentro de mim. Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade. Sei que o mundo existe, mas não sei se existo. Estou mais certo da existência da minha casa branca Do que da existência interior do dono da casa branca. Creio mais no meu corpo do que na minha alma, Porque o meu corpo apresenta-se no meio da realidade. Podendo ser visto por outros, Podendo tocar em outros, Podendo sentar-se e estar de pé, Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora. Existe para mim — nos momentos em que julgo que efetivamente existe — Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo Se a alma é mais real Que o mundo exterior como tu, filósofos, dizes, Para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade" Se é mais certo eu sentir Do que existir a cousa que sinto — Para que sinto E para que surge essa cousa independentemente de mim Sem precisar de mim para existir, E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmissível? Para que me movo com os outros Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo? Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente. E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas. Cousa por cousa, o Mundo é mais certo. Mas por que me interrogo, senão porque estou doente? Nos dias certos; nos dias exteriores da minha vida, Nos meus dias de perfeita lucidez natural, Sinto sem sentir que sinto, Vejo sem saber que vejo, E nunca o Universo é tão real como então, Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim. Mas) tão sublimemente não-meu. Quando digo "é evidente", quero acaso dizer "só eu é que o vejo"? Quando digo "é verdade", quero acaso dizer "é minha opinião"? Quando digo "ali está", quero acaso dizer "não está ali"? E se isto é assim na vida, por que será diferente na filosofia? Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos, E o primeiro fato merece ao menos a precedência e o culto. Sim, antes de sermos interior somos exterior. Por isso somos exterior essencialmente. Dizes, filósofo doente, filósofo enfim, que isto é materialismo. Mas isto como pode ser materialismo, se materialismo é uma ilosofia, Se uma filosofia seria, pelo menos sendo minha, uma filosofia minha, E isto nem sequer é meu, nem sequer sou eu? '' Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes''Dizes-me: tu és mais alguma cousa Que uma pedra ou uma planta. Dizes-me: sentes, pensas e sabes Que pensas e sentes. Então as pedras escrevem versos? Então as plantas têm idéias sobre o mundo? Sim: há diferença. Mas não é a diferença que encontras; Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas: Só me obriga a ser consciente. Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei. Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos. Ter consciência é mais que ter cor? Pode ser e pode não ser. Sei que é diferente apenas. Ninguém pode provar que é mais que só diferente. Sei que a pedra é a real, e que a planta existe. Sei isto porque elas existem. Sei isto porque os meus sentidos mo mostram. Sei que sou real também. Sei isto porque os meus sentidos mo mostram, Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta. Não sei mais nada. Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos. Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas. Mas é que as pedras não são poetas, são pedras; E as plantas são plantas só, e não pensadores. Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto, Como que sou inferior. Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra", Digo da planta, "é uma planta", Digo de mim, "sou eu". E não digo mais nada. Que mais há a dizer? '' Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa Eu''Até agora eu não me conhecia, julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia mesmo que o soubesse, o não dissera... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim... e não me via! Andava a procurar-me - pobre louca!- E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca! E esta ânsia de viver, que nada acalma, E a chama da tua alma a esbrasear As apagadas cinzas da minha alma! '' Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" Começo a Conhecer-me. Não Existo''Começo a conhecer-me. Não existo. Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, ou metade desse intervalo, porque também há vida ... Sou isso, enfim ... Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato. '' Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa |
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