Ana Teresa Russ... 的个人资料O Meu Paraiso Perdido照片日志列表更多 工具 帮助

日志


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Como te posso eu pedir que assumas algo quando nem tu te assumiste para ti...

Como não consegui ver isso?

Pergunto -me porque te reneguei, porque fui tão fria... quando tu precisavas do meu abraço quente.

Porque não te dei todas as certezas, quando eu já as tinha...

e como não consegui demostra-te em actos, palavras, sentimentos...

O QUANTO TE QUERO. AQUI DO MEU LADO.

CONTRA TUDO ? CONTRA TODOS ?

QUE ASSIM SEJA !

Entre o sono e sonho

 

''Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.''

Fernando Pessoa

Deixei atrás os erros do que fui

 

 

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"Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para rua."

 

Margarida Rebelo Pinto - in Diário da tua ausência

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“ Espero por ti porque acho que podes ser o homem da minha vida.

E espero por ti porque sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da sabedoria mais íntima e preciosa, há uma voz firme e incessante que me pede para esperar por ti.

E eu gosto de ouvir essa voz a embalar-me de noite antes de tantas e tantas vezes, te encontrar nos meus sonhos.”

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“ Tinha um homem ao meu lado com quem pensei que iria viver até ao fim dos meus dias.”

“ … Uma vida partilhada que ia ser a minha vida, até ao fim da vida. Um amor tão grande não pode morrer assim, em poucos meses, pois não?

Ainda hoje me faço essa pergunta, sem conseguir obter uma resposta.”

“… Respostas vagas e tão imprecisas só me confundiram ainda mais.

Não que ele não tivesse direito a elas; eu é que nunca as soube aceitar.” 

“ Sabia que não tinha falhado e que o fim do meu casamento era inevitável, mas a dor da perda não diminui com lucidez nem se dissipa na razão.

A dor tem vida própria e só o tempo e a generosidade da existência a podem apagar.”

A morte chega cedo

 

 ''A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.''

Fernando Pessoa

A Criança Que Pensa Em Fadas

 

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"A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
So não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer."

 

Alberto Caeiro
Heterónimo de Fernando Pessoa

Nunca Mais

 

"Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência."

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

José Luís Peixoto in «Uma Casa Na Escuridão»

 

 

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"Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais.

Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido.

Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira.

Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível.

Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra.

Amor amor amor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada.

Sozinho, diante da campa.

O amor é a solidão."

Bicabornato de sódio

 

    '' Súbita, uma angústia...
     Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
     Que amigos que tenho tido!
     Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
     Que esterco metafísico os meus prpósitos todos!

     Uma angústia,
     Uma desconsolação da epiderme da alma,
     Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
     Renego.
     Renego tudo.
     Renego mais do que tudo.
     Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
     Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
      circulação do sangue?
     Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

     Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
     Não: vou existir.  Arre!  Vou existir.
     E-xis-tir...
     E--xis--tir ...

     Meu Deus!  Que budismo me esfria no sangue!
     Renunciar de portas todas abertas,
     Perante a paisagem todas as paisagens,

     Sem esperança, em liberdade,
     Sem nexo,
     Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
     Monótono mas dorminhoco,
     E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
     Que verão agradável dos outros!

     Dêem-me de beber, que não tenho sede! ''